Quem usa o transporte coletivo em Florianópolis sabe o sufoco que é. Depois da “desintegração” promovida durante o governo de Angela Amin no final dos anos 1990, não há uma só mudança que venha para melhor. As reclamações sobre o sistema são frequentes e sistemáticas. Além disso, o preço da passagem está nas alturas (7,60) e não condiz com o estado da frota. Situações como quebra de ônibus, elevador para as pessoas com necessidades especiais seguidamente enguiçado, baratas, vidros quebrados, falta de ar-condicionado, linhas desaparecidas, horários cortados, formam o rosário de queixas.
Por conta disso, o vereador Leonel Camasão, do PSOL, resolveu investigar as planilhas do Consórcio Fenix comparando as do ano de 2019 (antes da pandemia) com as do início de 2026. Não conseguiu chegar aos dados via Consórcio, precisou buscar páginas antigas da empresa na internet. E, nessa verificação percebeu que mais de dois mil (2.000) horários foram extintos de lá para cá. Também é grande o número de linhas extintas, sendo reformuladas com novos trajetos que só aumentam o tempo dentro do transporte.
Por exemplo, as linhas Castanheira/Gramal e Castanheira/Eucalipto que tinham trajeto curto e rápido foram extintas e incorporadas às linhas Morro das Pedras/Gramal e Morro das Pedras/Castanheira, aumentando o tempo dentro do ônibus em até 40 minutos para alguns moradores. Isso sem contar no tempo de espera dentro do terminal do Rio Tavares, que também pode chegar até 45 minutos.
Buscamos informações junto ao Consórcio Fênix, mas sua assessoria de imprensa informou que tudo o que se relaciona com linhas e horários é definido pela prefeitura. Não conseguimos, portanto, falar com ninguém da direção da empresa. Dito isso, fomos atrás da prefeitura, buscando falar com o secretário responsável pela pasta que cuida do transporte. A conversa só chegou até o assessor de imprensa que já foi descartando qualquer possibilidade de falar sobre as linhas e horários desaparecidos. “Não tem linha desaparecida. Tudo é feito conforme a demanda”, informou. Mas, não informou demanda de quem? Dos usuários que não é. Depois de uma semana de tentativas, o silêncio. Ninguém da prefeitura para conversar.
Nessa entrevista o vereador Leonel Camasão fala sobre o tema e já está considerando encaminhar a questão ao Ministério público já que nem o Consórcio, nem a Prefeitura esclarecem as coisas.