Manual do programador

MANUAL DO PROGRAMADOR COMUNITÁRIO
ÍNDICE:

1.Sintonizando: para começar a conversa sobre a Rádio Comunitária Campeche

2. Rádio Comunitária Campeche: quem é você?

3. Programação da Rádio

 

1. Sintonizando: para começar a conversa sobre a Rádio Comunitária Campeche

Este documento é uma iniciativa para receber as pessoas que se aproximam da Rádio Comunitária Campeche. Buscamos através dele contar um pouco da história deste veículo de comunicação, suas propostas para sua área de abrangência, os princípios que orientam sua existência, os espaços de participação e decisão nos quais os diversos grupos envolvidos na sua construção se encontram – além de questões relacionadas ao funcionamento cotidiano da rádio.

Não é um manual como estes que vêm junto com equipamentos eletrônicos comprados nas lojas, que servem simplesmente para explicar como algo funciona. Pretende também apresentar o que esta rádio é, o que gostaria de ser e o que nunca gostaríamos que fosse.

Por ser uma atividade que junta, antes de tudo, seres humanos com visões diversas, a atuação numa rádio comunitária é algo que se faz a partir de diferentes contribuições – não é algo pronto, dado, que simplesmente se liga na tomada. É algo que se faz todos os dias, em coletivo. Para que o coletivo tente sempre fazer uma rádio melhor, é importante que a ele se juntem mais pessoas afinadas com a proposta que vem sendo construída. É evidente que há espaço para os novos participantes acrescentarem sugestões e melhorias a partir de suas próprias experiências anteriores. Para que isso aconteça, facilita bastante mostrar aos que chegam um painel do que é a Rádio Comunitária Campeche, o mais amplo possível.

Um exemplo pode ajudar a entendermos isso melhor: embora a aproximação dos novos integrantes aconteça pelos mais diversos motivos, percebemos em nossa experiência cotidiana que o elemento mais atrativo aos interessados é a possibilidade de realizar programas de rádio. Ou seja, de apropriar-se das ondas do rádio para veicular ideias, músicas e outros conteúdos que lhes dão prazer e que acreditam ser importantes para os ouvintes. Não há nada de errado nisso. Muito pelo contrário. Como veremos a seguir com mais calma, colocar no ar as diversas contribuições dos moradores do sul da Ilha de Florianópolis, que não têm seu devido espaço nos meios de comunicação das grandes empresas, é um dos nossos objetivos centrais. Mas é sempre importante compreender como chegamos a ele e por que ele nos estimula tão fortemente a manter a Rádio Campeche no ar.

Para apenas começarmos a entender isto, vale dizer que as rádios comunitárias fazem parte de um movimento social amplo, que busca a democratização da informação e dos meios de comunicação. Estes termos podem parecer estranhos num primeiro momento, mas não contêm nenhum mistério profundo: um movimento social é um agrupamento de pessoas que, ao olharem e refletirem sobre o mundo, verificam nele coisas erradas e buscam formas de mudar tal situação. Seja a destruição do meio ambiente, a intolerância e a discriminação (machismo, racismo, xenofobia, etc.), a desigualdade social e a exploração do homem pelo homem, são muitas as situações que incomodam as pessoas, levando-as a se organizarem enquanto movimentos sociais.

No caso de quem participa de rádios comunitárias, a luta visa que o controle da produção e distribuição da informação por grandes empresas – o que chamamos de monopólio dos meios de comunicação – chegue ao fim. Se a informação, tão importante para que se possa formar opinião sobre as coisas do mundo, vier de apenas duas ou três redes de televisão ou portais da internet, como será possível que o cidadão possa formar sua visão de mundo e participar de forma adequada e crítica? Impossível. Sem a participação adequada dos cidadãos, dificilmente chegaremos a uma sociedade capaz de refletir sobre os problemas reais que a afligem, suas causas e as maneiras de solucioná-los.
Portanto, a democratização da informação implica que haja mais gente produzindo e distribuindo conteúdo para os mais diferentes meios de comunicação, dos mais variados pontos de vista. É bom deixar claro que não acontece apenas através das rádios comunitárias – envolve projetos de TV comunitária, de blogs, de criação livre de programas e equipamentos para computador, de jornais comunitários, de zines, de rádios e TVs livres, de grafites, entre muitas outras manifestações.

Talvez agora fique mais fácil de entender que, na nossa proposta, juntar-se a uma rádio comunitária significa participar de uma iniciativa de transformação da realidade. Que pode parecer pequena, cheia de restrições, mas que, se pensada num quadro maior, ao lado dos inúmeros exemplos parecidos existentes, parece multiplicar em muito o seu tamanho e força. Nas próximas páginas, esperamos demonstrar isto com mais detalhes.

 
2. Rádio Comunitária Campeche: quem é você?

 

2. 1. O que é uma Rádio Comunitária

Uma rádio comunitária, na nossa visão, é aquela que proporciona à comunidade na qual se insere produzir informação e divulgá-la. Desde informações sobre o posto de saúde, a escola, a creche, passando por recados de amigos, denúncias importantes, serviços de utilidade pública, até divulgação da cultura local em geral – com ênfase nas produções musicais. A partir do momento que os moradores têm a perspectiva de serem não só ouvintes de rádio, mas também produtores de informação e participantes da gestão de uma iniciativa de rádio comunitária, acreditamos que muita coisa pode mudar.

Não que uma rádio comunitária fale apenas de fatos da comunidade e toque apenas músicas de artistas daquela comunidade. O importante é que fale a partir do olhar da comunidade, mesmo que trate de fatos internacionais ou de músicos de outros países. A pergunta é: como vincular estes artistas ou fatos à nossa realidade? Esta mediação é importante, pois, embora tenhamos nossos pés firmes em nossa comunidade, estamos com a cabeça ligada ao mundo todo…

Assim, o projeto da rádio comunitária tem a ver com a produção e divulgação de informação pelos membros da comunidade e a busca por apresentar um projeto de comunicação distinto dos meios grandes de comunicação.

Vale dizer que há uma lei que regula a existência de rádios comunitárias no Brasil. A lei federal 9612, de 1998, é o resultado da luta de movimentos sociais e de suas entidades pela democratização dos meios de comunicação em nosso país. Esta luta parte do princípio que, independentemente do poder econômico, a população tem o direito a ter acesso aos meios de comunicação, gerando informação e cultura a partir de sua ótica e realidade, sem estar submetida à lógica da publicidade e da venda de mercadorias através da mídia. Não sendo uma rádio de caráter comercial, seus espaços de programação não serão vendidos, podendo, no entanto, receber contribuições financeiras a título de apoio cultural de estabelecimentos localizados na sua área de cobertura.

Vale lembrar que, antes da lei 9612/98, existiam inúmeras iniciativas de grupos e indivíduos que realizavam transmissões de rádio com os equipamentos que obtinham – sem a devida autorização da polícia e alvos de perseguições, às vezes brutais. Talvez o caso brasileiro mais famoso seja o da Rádio Favela, de Belo Horizonte, surgida no fim dos anos 70. Pode-se argumentar que estas iniciativas se enquadram na categoria de rádios livres, que não buscam a autorização do governo para funcionar, baseando-se na legitimidade do direito à livre expressão. Ou, para simplificar: “quem tem voz deve usá-la, independente da vontade do governo.” Estas iniciativas têm uma história que remonta aos anos 50 e, mesmo ilegais, cumprem papel importante na democratização da informação no mundo todo.

A lei que regula a radiodifusão comunitária foi uma conquista, mas também trouxe dificuldades para o funcionamento dessas rádios, devido a uma quantidade grande de limitações e à demora no processo de aprovação da concessão para que uma rádio comunitária comece a transmitir. Algumas informações contidas na lei:

A Rádio Comunitária é um tipo especial de emissora de rádio FM, de alcance limitado a, no máximo, 1 km a partir de sua antena transmissora. A potência do transmissor é de 25 watts e a frequência de transmissão é definida pelo Ministério das Comunicações. A autorização para execução do serviço de rádio comunitária é concedida por dez anos, podendo ser renovada.

 

2.2. Finalidade da Associação Rádio Comunitária Campeche

– dar oportunidade à difusão de ideias, cultura, tradições e hábitos sociais da comunidade;
– prestar serviços de utilidade pública;
– pesquisar e divulgar informações de cunho social, educativo, científico, político, econômico, cultural e desportivo;
– atuar como instrumento de defesa do meio ambiente; promover continuamente o debate objetivando o avanço dos projetos comunitários;
– realizar campanhas educativas e de esclarecimentos sempre norteada pela valorização da vida;
– valorizar os artistas locais;
– oferecer espaço radiofônico a entidades comunitárias, culturais, esportivas, religiosas, sindicais e outras sem fins lucrativos;
– organizar arquivo com registro sonoro, fotográfico ou audiovisual de depoimentos colhidos da comunidade ou de interesse geral;
– contribuir com a luta pela democratização dos meios de comunicação; executar serviço de radiodifusão comunitária.
2.3. Como a rádio se organiza

Assembleia Geral

É o órgão máximo de deliberação da ARCCA. É convocada ordinariamente pela Diretoria Executiva uma vez por ano, sempre no primeiro semestre, para avaliação dos trabalhos desenvolvidos, prestação de contas do exercício anterior pela Diretoria Executiva, homologação da composição do Conselho de Entidades Comunitárias e discussão de assuntos gerais da Entidade.

Diretoria Executiva

É um órgão colegiado, composto por sete diretores eleitos pelos associados para coordenar as atividades da Rádio. São eles: coordenador geral, secretário geral, tesoureiros (2), diretores de programação (2), diretor de patrimônio, e se reúnem pelo menos uma vez por mês, ou sempre que for necessário, para discutir e encaminhar as questões de sua competência. O mandato da diretoria é de dois anos.

Conselho Fiscal

O Conselho Fiscal é constituído por seis membros eleitos, com mandato de igual duração ao da diretoria executiva, que se reúne trimestralmente para apreciar e aprovar ou não os balancetes financeiros, os documentos contábeis e os atos administrativos que se relacionam com as finanças da entidade.

Conselho de Entidades

Obrigatoriedade da lei 9612, o Conselho de Entidades Comunitárias é constituído por no mínimo cinco representantes de entidades de caráter comunitário da região, indicados por suas respectivas diretorias e homologados em Assembleia Geral Ordinária, com mandato de 2 anos. O Conselho tem por objetivo acompanhar a programação da rádio segundo o interesse comunitário e a legislação. A relação da ARCCA, não só com o Conselho de Entidades Comunitárias, mas com outras entidades estabelecidas na região, tem por objetivo fortalecer os vínculos com a comunidade, através de ações de caráter diverso.

Programadores

O programador é um tipo específico de associado, responsável pela construção da grade de programação da Rádio, seja através de programas, listas de música ou vinhetas. Para isso, os programadores devem estar habilitados a realizar essas produções. Quando isso ocorrer, podem auxiliar na recepção e formação dos novos programadores.

Associados

A associação à ARCCA se dá através do preenchimento e assinatura da ficha de filiação. Podem se filiar moradores do sul da ilha, no alcance do sinal da rádio. Os associados têm direito a voz e voto nas assembleias, acesso aos documentos oficiais, a participar das atividades promovidas pela Rádio, elaborar programas e listas de música. Devem também participar e colaborar nas atividades de manutenção das dependências físicas da sede da associação, assembleias e atividades culturais.

Como se associar à Rádio Campeche

Basta entrar em contato pelo telefone 3237-2022, pelo e-mail contato@radiocampeche.com.br, ou se dirigir até a Rádio (telefone antes para saber se há alguém!). O valor da anuidade é de R$50,00, que pode ser pago a algum dos diretores da rádio ou depositado na Caixa – agência 3524, operação – 013(poupança), conta – 8387-8. Caso você opte pelo depósito, favor enviar uma mensagem para o endereço contato@radiocampeche.com.br, com o assunto “Pagamento Anuidade” informando-nos seu nome, o número do depósito e a data.

 

2.4. Recursos que mantêm a rádio

A Rádio Campeche mantém sua estrutura com recursos advindos das anuidades de seus associados, dos apoios culturais, de doações, convênios, da promoção de eventos e do trabalho voluntário da diretoria, programadores, associados e colaboradores.

Apoio Cultural

O apoio cultural sempre foi uma questão polêmica na rádio. Por um lado, os ouvintes reclamam da existência de “vinhetas de propaganda” na programação da rádio. Por outro, comerciantes reclamam do número limitado de inserções na programação ou do baixo retorno, em termos de clientes, que as vinhetas garantem ao seu comércio. Vale então esclarecer.

O dispositivo do apoio cultural consta na lei 9612/98 como uma alternativa para as rádios comunitárias, que não têm fins lucrativos, garantirem alguma receita para pagar custos básicos. Na lei, cada programa pode ter a quantidade que quiser de apoios. Embora seja uma realidade muito presente nas rádios comunitárias brasileiras, o apoio cultural por programa foi descartado pela ARCCA, pois isto poderia gerar uma “corrida pelo ouro” (leia-se: apoios culturais), criando mecanismos de competição e desigualdade entre programadores. Assim, a decisão política é que o apoio cultural se destine a sustentar a rádio como um todo, visto que assim todos os programadores estariam igualmente beneficiados. Mesmo assim, ainda restam polêmicas e dúvidas. Tentaremos esclarecê-las em seguida.

Muitos empresários locais procuram a rádio para divulgar seus produtos e serviços através da compra de espaço publicitário na programação. Perguntam quanto custa a vinheta, quantas vezes será veiculada, qual é a audiência da rádio. Desejam ainda escolher o “melhor” horário, bem como a voz e o texto a serem gravados. A expectativa, neste caso, é impulsionar seus negócios privados. Apesar de legítima, esta demonstra uma compreensão equivocada em relação ao funcionamento e objetivos da Rádio Comunitária Campeche, aproximando-a dos procedimentos, formas e objetivos das rádios comerciais.

Somos uma entidade sem fins lucrativos que luta por uma comunicação livre e horizontal em nosso bairro, que se identifica com as lutas populares e movimentos sociais que buscam um mundo mais justo e sustentável. Neste sentido, apoios culturais não são propagandas. São doações espontâneas daqueles que se identificam com a atuação da rádio, daqueles que, antes de tudo, querem um bairro melhor e entendem que a rádio pode contribuir para isto. Neste caso, o apoio cultural é feito mediante doação em espécie ou permuta por serviços, pelos quais a rádio produz e veicula vinhetas em sua programação diária. Tais vinhetas serão feitas pelo voluntário-locutor à disposição, que identificará o nome do apoiador, bem como seu ramo de atuação, endereço e telefone para contato, ocupando um tempo máximo de 30 segundos e sem músicas ou efeitos personalizados. O valor sugerido é de R$50 mensais. Ou, então, poderá ser realizado apoio cultural com base em algum serviço de interesse da rádio que corresponda ao valor sugerido, ex.: empresa de impressão gráfica que forneça R$50,00 em cartazes para divulgação da rádio.

Qualquer associado da ARCCA pode e deve buscar tais apoios, deixando bem claro como estes funcionam. A ARCCA se resguarda o direito de não querer como apoiadores empresas que contrariam nossos princípios, por exemplo: empresas poluidoras e destruidoras do meio ambiente em geral, empresas que exploram trabalho infantil, que vendam produtos nocivos ou enganosos, que se envolvem em casos de corrupção, multinacionais instaladas ou que venham a se instalar no bairro, etc. Portanto, associado, se aparecer um novo apoiador, informe pela lista de e-mails para que o coletivo discuta e, se aprovado, algum diretor da rádio possa realizar a cobrança e emissão de recibo, bem como a gravação da vinheta.

 

2.5. Comunicação Interna

São instrumentos de comunicação interna (diretoria – programadores – associados) o mural de recados comunitários, as listas de mensagens eletrônicas, o sítio da rádio na rede mundial de computadores e a página da rádio no Facebook.

Grupo dos Programadores: programadores@radiocampeche.com.br

Voltado para socialização de informações diversas entre os programadores, como agenda de eventos, questões relativas à operação de equipamentos da rádio, material para divulgação nos programas, chamadas para assembleias e reuniões com os programadores. Também é um espaço para discussão dos assuntos relativos à programação e às questões gerais da rádio. Fazem parte desta lista os programadores, incluídos assim iniciam as atividades na programação.

Mural de recados no estúdio:

Este é um espaço fundamental para socializarmos informações da comunidade, principalmente no que diz respeito a eventos, demandas e serviços de utilidade pública trazidos pela comunidade. É importante que todos os programadores olhem o mural e tragam informações de caráter comunitário para preenchê-lo.

Site e página da Rádio Comunitária no Facebook:

Notícias da comunidade, agenda cultural local, músicas de artistas de Florianópolis, entrevistas realizadas nos programas da rádio e a íntegra de alguns programas são compartilhados nesses locais.

 

2.6. Equipamentos

A Rádio Comunitária Campeche dispõe de um estúdio com dois transmissores (um em operação e outro reserva) e dois computadores, um com o programa Zara Rádio, que roda a programação, e outro utilizado para a transmissão da programação na internet, por meio do stream. Há também duas mesas de som, além de microfones, fones de ouvido, chave híbrida, etc. Os programadores devem prezar pelo bom funcionamento de todos os equipamentos que utilizam durante seus programas, pois eles são caros e preciosos para a continuidade da rádio.
3. Programação da Rádio

A Rádio Campeche transmite 24 horas por dia, todos os dias. O que ocupa o maior tempo é a programação musical, organizada a partir das listas de músicas feitas pelos associados. Há também os programas ao vivo ou gravados, vinhetas diversas, e outras transmissões, como a do programa “A Voz do Brasil”, prevista em lei. A maior parte da programação é produzida voluntária e autonomamente pelos associados da rádio.
3.1 Programação Musical

Esta parte é muito importante e deve ser elaborada sempre de maneira cuidadosa e criteriosa. A responsabilidade que a rádio tem em não divulgar os mesmos artistas que as grandes empresas de comunicação é muito grande. A preocupação em abrir espaços para outros deve estar sempre presente, principalmente para aqueles que não contam com espaço em nenhum outro lugar.

As listas de música são feitas pelos associados e devem ter entre 30 e 60 músicas, contendo um mínimo de 80% de músicas nacionais, com ênfase em artistas do Campeche, de Florianópolis e de Santa Catarina.

O associado que faz listas deve atentar para a diversidade musical, buscando oportunizar espaço para os vários estilos musicais. Lembre-se: você está organizando uma lista para uma comunidade heterogênea! Por exemplo: não coloque quarenta canções de samba em seguida, pois apenas os fanáticos por este gênero musical acompanharão!

As listas podem ser feitas a partir do acervo musical da rádio ou de acervo próprio. Neste último caso, o associado deverá trazer em meio digital as músicas ordenadas por número, contendo o nome da música e do artista ou grupo. Aos mais habituados com softwares de gravação e edição que disponham de tempo, sugerimos também a gravação das locuções, informando aos ouvintes o nome das músicas tocadas. Em ambos os casos – listas feitas na rádio ou em casa – o associado deve informar o coletivo por e-mail sobre a(s) nova(s) lista(s) para que o responsável pelas listas possa colocá-la no ar sem prejuízo da programação.

 

3.2 Programas

Os programas da Rádio Campeche são produzidos e apresentados por associados, pessoas da comunidade. São parte muito importante do projeto da Rádio, pois proporcionam um espaço para que a comunidade produza conteúdos e os relacione com sua vida, a partir da sua própria necessidade e cultura local.

Primar pela qualidade da programação é um dever de todo programador, que deve buscar, dentro de suas possibilidades, oferecer um programa assíduo, estruturado e original, ou seja, que evite reproduzir aquilo que os grandes meios de comunicação veiculam. A maioria dos programas hoje no ar têm uma hora de duração e frequência semanal – mas este não é um formato obrigatório.

Os associados que se interessarem em fazer um programa devem apresentar uma proposta à diretoria da rádio, preenchendo um formulário. A proposta é avaliada pela diretoria e, se aprovada,pode ir ao ar. O novo programador será acompanhado por programadores mais antigos em suas primeiras produções, até estar apto a assumir sozinho a realização do programa radiofônico.

Além do conteúdo previamente preparado, deve ser parte integrante de cada
programa, para ser falado no ar:

1. nome do programa, hora, nome dos produtores e apresentadores
2. nome da rádio e frequência (“Rádio Comunitária Campeche, 98.3 FM”)
3. número do telefone da rádio, endereço, site, e-mail da rádio e do programa;
4. informes comunitários (do mural, do site, do FB, do e-mail “programadores”)
5. divulgação dos outros programas da grade da rádio
6. divulgação dos eventos da rádio;
7. chamadas para associação e apoio cultural.
3.3. Vinhetas

Uma vinheta é uma gravação rápida, de até 2 minutos, repetida com alguma frequência durante a programação da rádio. A ideia com ela é veicular informações que elegemos importantes e precisam ser divulgadas para a rádio repetidamente. São responsabilidades dos programadores e diretores da rádio.

Além disso, dão um colorido especial à programação, inúmeras vezes ressaltado pelos ouvintes. Há diversos tipos de vinhetas, entre elas:

Vinhetas informativas/educativas

São vinhetas produzidas por associados da rádio e programadores, em oficinas ou individualmente, trazendo informações de interesse comunitário tais como: agenda de eventos e serviços de utilidade pública, informes sobre a rádio e divulgação de atividades de outras iniciativas de associativismo da região. Busca-se realizar campanhas de conscientização dentro dos mais variados temas, como saúde, educação, mobilidade urbana e meio ambiente, além de promover uma abordagem crítica sobre a comunicação em Florianópolis e no mundo.

Chamadas para programas

São vinhetas produzidas pelos programadores que informam sobre a hora, o dia e o proposta dos programas desenvolvidos pelos associados da rádio a fim de divulgar cada programa. A equipe de cada programa é responsável pela produção de sua vinheta.

Apoios Culturais

São vinhetas padronizadas produzidas pelos programadores divulgando os apoiadores da rádio.
3.4. Transmissões de eventos da Rádio

Quando acontece algum evento promovido pela Rádio, como eventos musicais, Balaio, debates, desde que haja condições técnicas, é realizada a transmissão ao vivo.

3.5. Intervenções Extraordinárias

Sempre que houver necessidade de transmissão de informações importantes para comunidade, fora da grade de programação, em caráter extraordinário, a rádio presta este serviço através de seus programadores.

3.6. Transmissões obrigatórias

São programas como “A Voz do Brasil”, pronunciamentos oficiais, horário eleitoral, obrigatórios para todas as rádios do Brasil.