Ontem
dia, 24 de setembro, a rádio comunitária do Campeche juntou-se a outros
grupos que agem na perspectiva da democratização da informação para um
fórum sobre o tema. O encontro aconteceu no interior da V Semana de
Integração do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, que propõe
diversas atividades nas quais alunos, professores e técnicos possam
interagir para além do espaço da sala de aula. Acontecem então
mini-cursos, oficinas, apresentações artísticas, festas e debates como
o que a rádio foi convidada a participar.
Além do convite para a rádio, foram
chamados outros três grupos: o coletivo Arterizar, composto por alunos
do curso de ciências sociais que têm interesse em expressar-se
poeticamente e para isto elaboraram um jornal impresso e um blog (coletivoarterizar.blogspot.com), além de estar preparando novas edições do jornal e exposições de fotografias e desenhos.
Outro grupo é a rádio Tarrafa (radiotarrafa.libertar.org),
grupo que está há dois anos preparando uma rádio livre na bacia do
Itacorubi, e que prepara-se para iniciar as transmissões. Rádios
livres, como explicou uma das componentes do grupo, é uma tentativa de
usar a tecnologia de rádio atualmente disponível – que é acessível e
avançada – para auxiliar as pessoas a se expressarem, sem mediações do
poder econômico ou do Estado. Ela frisou também que esta atitude vai
contra a divisão entre produtores e emissores de recepção de
informação, colocada por grandes meios de comunicação existentes.
Neles, poucos profissionais repassam – na forma de jornais, programas
de rádio, conteúdo de TV ou internet – informações para muitos
expectadores. A idéia da rádio livre seria então provocar as pessoas a
organizarem-se e produzirem informação própria.
A rádio Campeche também se colocou um
pouco neste sentido, acrescentando que a informação a ser produzida
deve ter ênfase no olhar dos habitantes do sul da Ilha. Seja trazendo
notícias da comunidade ou pensando a relação das notícias na cidade, no
país ou no mundo a partir de como ela afeta a comunidade. Além disso,
foi exposto um pouco do histórico da rádio desde o começo da
mobilização para concretizá-la, em 1998, passando pela autorização para
a transmissão em 2005 e a terceira gestão da diretoria executiva e
conselho fiscal em 2009. Após explicar um pouco do funcionamento da
rádio, fez-se uma relação entre os movimentos de democratização livre e
comunitária, e se chegou à conclusão que, apesar de algumas práticas
diferentes, a ação destes movimentos deve estar cada vez mais unida.
O último grupo componente da mesa foi o pessoal da revista eletrônica “Expressões Geográficas”, (www.geograficas.cfh.ufsc.br)
composta por alunos da graduação e pós-graduação do curso de Geografia
da UFSC, que explicou o surgimento da revista a partir de um contexto
de privatização da produção do conhecimento e da necessidade de
socializar os resultados de pesquisas e reflexões realizados no curso
de geografia. Foi escolhida a internet como meio para realizar a
revista, devido ao baixo custo e a acessibilidade a todos. A revista
tem 5 anos e é feita anualmente.
Uma das preocupações dos componentes da
revista é a questão da liberdade da internet, que está ameaçada pela
legislação brasileira em trâmite no Senado Federal, conhecida como “lei
Azeredo”, devido à atuação do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) como
relator em 3 das 4 comissões pelas quais o projeto de lei já passou. No
entanto, os movimentos pela internet democrática têm chamado esta lei
de “AI-5 digital”, devido ao seu conteúdo repressivo, visando ao
controle das ações na internet, com a justificativa de coibir a
pedofilia e a troca de arquivos de mídia que estariam protegidos pela
lei da propriedade intelectual.
Este ponto gerou o debate mais aceso
após as exposições, pois há ainda pouca compreensão do que uma lei com
este teor pode representar na realidade da comunicação brasileira e
quais as estruturas e custos seriam necessários para garantir os
mecanismos de vigilância na internet propostos.
Sobre a lei Azeredo:
http://www.safernet.org.br/site/institucional/projetos/obsleg/pl-azeredo
ou digite no google, pois vais encontrar bastante coisa…